quarta-feira, 15 de julho de 2009

O SONHO DE LUTERO

Conta-se que, certa vez, Lutero sonhara. Achava-se nos umbrais dos tabernáculos eternos. Interrogou então, sofregamente, o anjo ali de guarda:
- Estão aí os protestantes?
- Não; aqui não se encontra um protestante sequer.
- Que me dizes?! Os protestantes não alcançaram a salvação mediante o sangue de Cristo?!
- Já lhe disse, e repito: não há aqui protestantes.
- Então, será que aqui estejam os católicos-romanos, os membros daquela Igreja que ajurei?
- Tampouco conhecemos aqui os filhos dessa Igreja; não existe aqui romanos.
- Estarão, quem sabe, os partidários de Maomé ou de Buda?
- Não estão, nem uns nem outros.
- Dar-se-á, acaso, que o Céu se encontre desabitado?
- Tal não acontece. Incontáveis são os habitantes da casa do Pai, ocupando todas as suas múltiplas moradas.
- Dize-me, então, depressa: quem são os que se salvam, e a que Igreja pertencem na Terra?
- A todas e a nenhuma. Aqui não se cogita de denominações nem de dogmas. os que se salvam são os que visitam as viúvas e os órfãos em suas aflições, guardando-se isentos da corrupção do século. Os que se salvam são os que procuram aperfeiçoar-se, corrigindo-se dos seus defeitos, renascendo todos os dias para uma vida melhr. Os que se salvam são os que amam o próximo, e renunciam ao mundo, com suas fascinações. Os que se salvam são os que porfiam, transitando pelo caminho estreito, juncado de espinhos: o caminho do dever. Os que se salvam sãos os que obedecem à voz da consciência, e não aos reclamos do interesse. Os que se salvam são os que trabalham pela causa da Justiça e da Verdade, que é a Causa Universal, e não pelo engrandecimento de causas regionais, de determinadas agremiações com títulos e rótulos religiosos. Os que se salvam são os que aspiram à glória de Deus, ao bem comum, à felicidade coletiva. Os que se salvam....
- Basta! - atalhou Lutero. - Já compreendo tudo: preciso voltar à Terra e introduzir certa reforma na Reforma.
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Não sabemos se, de fato, é verdadeiro este sonho atribuído ao ex-frade agostinho. Contudo, é o caso de dizer-mos: se ele não sonhou isso, devia ter sonhado.
Que se edifiquem nas palavras do anjo os espíritas e também os teosofistas com sua terminologia agreste; pois, se Lutero não indagou sobre os tais, é porque na época do sonho não existiam aquelas denominações. Se existissem, certamente o anjo teria dito delas o mesmo que disse das demais.


(Vinicius. Livro: Nas Pegadas do Mestre, pag. 35, ed. FEB).

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Projeto Centenário Chico Xavier


16 a 18 Abril 2010

Centro de Convenções Ulysses Guimarães
Brasília - DF