sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Não se envergonhar

“Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem.” – Jesus. (LUCAS, 9:26.)

Muitos aprendizes existem satisfeitos consigo mesmos tão-somente em razão de algumas afirmativas quixotescas. Congregam-se em grandes discussões, atrabiliários e irascíveis, tentando convencer gregos e troianos, relativamente à fé religiosa e, quando interpelados sobre a fúria em que se comprazem, na imposição dos pontos de vista que lhes são próprios, costumam redargüir que é imprescindível não nos envergonharmos do Mestre, nem de seus ensinamentos perante a multidão.

Todavia, por vezes, a preocupação de preservar o Cristianismo não passa de posição meramente verbal.

Tais defensores do Cristo andam esquecidos de que, antes de tudo, é indispensável não esquecer-lhe os princípios sublimes, diante das tarefas de cada dia.

A vida de um homem é a sua própria confissão pública.

A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé.

Muito infantis o trovão da voz e a mímica verbalista, filhos da vaidade individual, junto de ouvintes incompreensivos e complacentes, com pleno esquecimento dos necessários testemunhos com o Mestre, na oficina de trabalho comum e no lar purificador.

Torna-se indispensável não se envergonhar o aprendiz de Jesus, não em perlengas calorosas, das quais cada contendor regressa mais exasperado, mas sim perante as situações, aparentemente insignificantes ou eminentemente expressivas, em que se pede ao crente o exemplo de amor, renúncia e sacrifício pessoal que o Senhor demonstrou em sua trajetória sublime.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Coração



"Quando o nosso corpo se forma, no claustro materno, uma das primeirasmanifestações é o coração palpitando... Nos casos de saúde, a medicina sepreocupa com a chamada parada cardíaca; o coração governa a vida...
Parada cardíaca pode afetar o cérebro... O coração comanda todos os fenômenos da vida, a ponto de, nas profecias mais antigas, alguém ter dito: muito cuidado com o coração, porque onde colocarmos o nosso coração, ai estarão o nosso tesouro, a nossa vida.
Compreender a importância da razão, mas a super-importância do coração, para que sejamos mais irmãos uns dos outros, com mais compreensão recíproca, para que a nossa vida possa melhorar...
Quando Chico terminou, ficamos a meditar também em dois outros ensinamentos semelhantes, que ele nos deu em outra oportunidade: o primeiro, 'na atualidade o homem na Terra carece de 90% de sentimento e apenas 10% de intelecto'; o segundo, de Emmanuel, é mais menos assim, 'quando o homem cai pelo coração, a própria queda é degrau para que ele se possa levantar; quando cai pela inteligência é diferente'..."

(Obra: Chico Xavier à Sombra do Abacateiro - Carlos A. Baccelli)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Somente assim


“Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; eassim sereis meus discípulos.” – Jesus. (João, 15:8.)

Em nossas aflições, o Pai é invocado.
Nas alegrias, é adorado.
Na noite tempestuosa, é sempre esperado com ânsia.
No dia festivo, é reverenciado solenemente.
Louvado pelos filhos reconhecidos e olvidado pelos ingratos, o Pai dá sempre, espalhando as bênçãos de sua bondade infinita entre bons e maus, justos e injustos.
Ensina o verme a rastejar, o arbusto a desenvolver-se e o homem a raciocinar.
Ninguém duvide, porém, quanto à expectativa do Supremo Senhor a nosso respeito. De existência em existência, ajuda-nos a crescer e a servi-Lo, para que, um dia, nos integremos, vitoriosos, em seu divino amor e possamos glorificá-Lo.
Nunca chegaremos, contudo, a semelhante condição, simplesmente através dos mil modos de coloração brilhante dos nossos sentimentos e raciocínios.
Nossos ideais superiores são imprescindíveis e, no fundo, assemelham-se às flores mais belas e perfumosas da árvore. Nossa cultura é, sem dúvida, indispensável e, em essência, constitui a robustez do tronco respeitável. Nossas aspirações elevadas são preciosas e necessárias, e representam as folhas vivas e promissoras.
Todos esses requisitos são imperativos da colheita.
Assim também ocorre nos domínios da alma.
Somente é possível glorificar o Pai quando nos abrimos aos seus decretos de amor universal, produzindo para o bem eterno.
Por isso mesmo, o Mestre foi claro em sua afirmação.
Que nossa atividade, dentro da vida, produza muito fruto de paz e sabedoria, amor e esperança, fé e alegria, justiça e misericórdia, em trabalho pessoal digno e constante, porquanto, somente assim o Pai será por nós glorificado e só nessa condição seremos discípulos do Mestre Crucificado e Redivivo.

Emmanuel/Chico Xavier. Livro Fonte Viva.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Cooperemos fielmente



“Pois somos cooperadores de Deus.” – Paulo. (I CORÍNTIOS, 3:9.)

O Pai é o Supremo Criador da Vida, mas o homem pode ser fiel cooperador dele.
Deus visita a criatura pela própria criatura.
Almas cerradas sobre si mesmas declarar-se-ão incapazes de serviços nobres; afirmar-se-ão empobrecidas ou incompetentes.
Há companheiros que atingem o disparate de se proclamarem tão pecadores e tão maus que se sentem inabilitados a qualquer espécie de concurso sadio na obra cristã, como se os devedores e os ignorantes não necessitassem trabalhar na própria melhoria.
As portas da colaboração com o divino amor, porém, permanecem constantemente abertas e qualquer homem de mediana razão pode identificar a chamada para o serviço divino.
Cultivemos o bem, eliminando o mal.
Façamos luz onde a treva domine.
Conduzamos harmonia às zonas em discórdia.
Ajudemos a ignorância com o esclarecimento fraterno.
Seja o amor ao próximo nossa base essencial em toda construção no caminho evolutivo.
Até agora, temos sido pesados à economia da vida.
Filhos perdulários, ante o Orçamento Divino, temos despendido preciosas energias em numerosas existências, desviando-as para o terreno escuro das retificações difíceis ou do cárcere expiatório.
Ao que nos parece, portanto, segundo os conhecimentos que possuímos, por “acréscimo de misericórdia”, já é tempo de cooperarmos fielmente com Deus, no desempenho de nossa tarefa humilde.

Emmanuel/Chico Xavier. Vinha de Luz.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Corrigendas



“Porque o Senhor corrige ao que ama e açoita a qualquer que recebe porfilho.” -Paulo. (HEBREUS, 12:6.)

Quando os discípulos do Evangelho começam a entender o valor da corrigenda, eleva-se-lhes a mente a planos mais altos da vida.
Naturalmente que o Pai ama a todos os filhos, no entanto, os que procuram compreendê-lo perceberão, de mais perto, o amor divino.
Máxima identificação com o Senhor representa máxima capacidade sentimental.
Chegado a essa posição, penetra o espírito em outras zonas de serviço e aprendizado.
A princípio, doem-lhe as corrigendas, atormentam-no os açoites da experiência, entretanto, se sabe vencer nas primeiras provas, entra no conhecimento das próprias necessidades e aceita a luta por alimento espiritual e o testemunho de serviço diário por indispensável expressão da melhoria de si mesmo, A vida está repleta de lições nesse particular.
O mineral dorme.
A árvore sonha.
O irracional atende ao impulso.
O homem selvagem obedece ao instinto.
A infância brinca.
A juventude idealiza.
O espírito consciente esforça-se e luta.
O homem renovado e convertido a Jesus, porém, é o filho do céu, colocado entre as zonas inferiores e superiores do caminho evolutivo. Nele, o trabalho de iluminação e aperfeiçoamento é incessante; deve, portanto, ser o primeiro a receber as corrigendas do
Senhor e os açoites da retificação paterna.
Se te encontras, pois, mais perto do Pai, aprende a compreender o amor da educação divina.


Emmanuel/Chico Xavier. Vinha de Luz.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Vinde a nós - (Envio da Sra. Cazemajoux, médium de Bordeaux.)


O Espiritismo é a aplicação da moral evangélica, pregada pelo Cristo em toda a sua pureza, e os homens que o condenam, sem conhecê-lo, são pouco sábios. Com efeito, por que qualificar de superstição, de fraudes, de sortilégios, de demonomania coisas que o vulgar bom senso faria aceitar se quisesse estudá-las? A alma é imortal: é o Espírito. A matéria inerte é o corpo perecível, despojando-se de suas formas, para não se tornar, quando o Espírito o deixou, senão um montão de podridão sem nome. E encontrais lógica, vós que não credes no Espiritismo, que esta vida que, para a maioria dentre vós, é uma vida de amargura, de dores, de decepções, um verdadeiro purgatório, que não haja outro objetivo senão o túmulo! Desenganai-vos; vinde a nós, pobres deserdados dos bens, das grandezas e dos gozos terrestres, vinde a nós e sereis consolados vendo que as vossas dores, as vossas privações, os vossos sofrimentos, devem vos abrir as portas dos mundos felizes, e que Deus, justo e bom para todas as suas criaturas, não nos experimenta senão para o nosso bem, segundo esta palavra do Cristo. Bem-aventurados aqueles que choram, porque serão consolados. - Vinde, pois, incrédulos e materialistas; alinhai-vos sob a bandeira onde estão escritas, em letras de ouro, estas palavras: Amor e caridade para os homens que são teus irmãos; bondade, justiça, indulgência de um pai grande e generoso para os Espíritos que criou, e que ele eleva para si por caminhos seguros, embora vos sejam desconhecidos; a caridade, o aperfeiçoamento moral, o desenvolvimento intelectual, vos conduzirão para o autor e o senhor de todas as coisas.
Não vos instruímos senão para que trabalheis, ao vosso turno, em divulgar essa instrução; mas, sobretudo, fazei-o sem azedume; sede pacientes e esperai. Lançai a semente; a reflexão e a ajuda de Deus a farão frutificar, primeiro por um pequeno número que fará como vós, e pouco a pouco, o número dos obreiros aumentando, os fará esperar depois das sementes uma boa e abundante colheita.


FERDINAND,
Filho do médium. Revista Espírita, Maio, 1861.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A pintura e a música


(Sociedade Espírita de Paris, Médium Sr. Alfred Didier.)
A arte foi definida cem mil vezes: é o belo, o verdadeiro, o bem. A música, que é um dos ramos da arte, está inteiramente no domínio da sensação. Entendamo-nos e tratemos de não ser obscuros. A sensação é produzida no homem quando ele compreende a de dois modos distintos, mas que se ligam estreitamente; a sensação do pensamento que tem por conclusão a melancolia ou a filosofia, e depois a sensação que pertence inteiramente ao coração. A música, segundo eu, é a arte que vai mais direta ao coração. A sensação, vós me compreendeis, está toda no coração; a pintura, a arquitetura, a escultura, a pintura antes de tudo, atingem bem mais a sensação cerebral; em uma palavra, a música vai do coração ao espírito, a pintura do pensamento ao coração. A exaltação religiosa criou o órgão: quando a poesia, sobre a Terra, toca o órgão, os anjos do céu lhe respondem ; assim a música séria, religiosa eleva a alma e os pensamentos: a música leviana faz vibrar os nervos, nada mais.
Eu gostaria de interpretar alguma personalidades, mas não tenho direito disso: eu não estou mais sobre a Terra. Amai o Requiem de Mozart que o matou. Eu não desejo mais do que os Espíritos vossa morte pela música, mas a morte vivente entretanto, aí está o esquecimento de tudo o que é terrestre, pela elevação moral.
LAMENNAIS.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A CHAGA DA VAIDADE

 
"Mas Jesus lhes advertia severamente que o não expusessem à publicidade."  - Marcos, cap. 3 - v. 12
  

Este versículo do Evangelho de Marcos é extremamente curioso. Jesus adverte os espíritos
que nele reconheciam o Filho de Deus que não o expusessem à publicidade.
Enquanto os homens discutiam em torno de sua procedência, questionando-lhe a
autenticidade dos méritos, segundo a terminologia evangélica, os próprios espíritos imundos
sabiam quem ele era.
A vinda do Cristo a Terra não foi ignorada pelos habitantes das esferas invisíveis, situadas
nas proximidades da Crosta !
Contudo, por que Jesus os repreende, ordenando que não o exponham à publicidade ?
Se tal ocorreu, é porque, de fato, eles poderiam fazê-lo, através dos canais da mediunidade.
Àquela época, de acordo com a cronologia das narrativas evangélicas, o Senhor já se fazia
acompanhar pela multidão, conforme se pode ler em Marcos, no capítulo acima citado,
versículo 9: "Então recomendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um
barquinho, por causa da multidão, a fim de não o comprimirem".
A questão talvez seja que a publicidade é sempre perigosa, mormente para aqueles que
estejam no início de apostolado entre os homens.
Evidentemente, o Senhor se conservava imune ao incenso da bajulação, mas será que o
mesmo ocorre conosco, tão suscetíveis a quaisquer palavras de endeusamento ?
Valorosos obreiros do Evangelho têm se perdido pela idolatria de que são objeto, porque
quem aceita um elogio sem protestar, com sinceridade, contra ele, confessando a sua
desvalia pessoal, demonstra trazer, à flor da pele, a purulenta chaga da vaidade.

(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A. Baccelli/Inácio Ferreira)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Tempo de confiança

“E disse-lhes: Onde está a vossa fé?” — (LUCAS, capítulo 8,versículo 25.)


A tempestade estabelecera a perturbação no ânimo dos discípulos mais fortes. Desorientados, ante a fúria dos elementos, socorrem-se de Jesus, em altos brados.
Atende-os o Mestre, mas pergunta depois:
— Onde está a vossa fé?
O quadro sugere ponderações de vasto alcance. A interrogação de Jesus indica claramente a necessidade de manutenção da confiança, quando tudo parece obscuro e perdido. Em tais circunstâncias, surge a ocasião da fé, no tempo que lhe é próprio.
Se há ensejo para trabalho e descanso, plantio e colheita, revelar-se-á igualmente a confiança na hora adequada.
Ninguém exercitará otimismo, quando todas as situações se conjugam para o bem-estar. É difícil demonstrar-se amizade nos momentos felizes.
Aguardem os discípulos, naturalmente, oportunidades de luta maior, em que necessitarão aplicar mais extensa e intensivamente os ensinos do Senhor.
Sem isso, seria impossível aferir valores.
Na atualidade dolorosa, inúmeros companheiros invocam a cooperação direta do Cristo. E o socorro vem sempre, porque é infinita a misericórdia celestial, mas, vencida a dificuldade, esperem a indagação:
— Onde está a vossa fé?
E outros obstáculos sobrevirão, até que o discípulo aprenda a dominar-se, a educar-se e a vencer, serenamente, com as lições recebidas.

Emmanuel/Chico Xavier. Livro: Caminho, Verdade e Vida.