segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Gálatas, 2, 4-5




4.    Mas, por causa dos falsos irmãos, intrusos - que furtivamente se introduziram entre nós para espionar a liberdade de que gozávamos em Cristo Jesus, a fim de nos escravizar -,   
5.    fomos, por esta vez, condescendentes, para que o Evangelho permanecesse em sua integridade.


Considerações.

Desde a sua origem incorrem-se em lutas para manutenção da integridade do Evangelho - escrito e comportamental.
Caminheiros que seguem por um caminho ao se dividirem em  bifurcações tendem a registrar e a anunciarem narrativas diferentes.

Hoje, é difícil manter a integridade dos textos dos Evangelhos tanto que se lhes adaptaram à necessidades outras, qual não é espúrio?

Cada palavra tem suas particularidades significantes, e alterar o texto Evangélico a qualquer pretexto é alterar-lhe o significado e por conseguinte, a intenção do ensino do Cristo.

Mau, não é ignorante; e ignorante, não é mau.

Mau é ruim, danoso;

Ignorante é desconhecedor.


Presentemente e em todos os tempos, temos o dever Cristão da guarda da integridade do Evangelho.



Bom dia a todos!
Luiz Alves

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Conversas familiares de além-túmulo - Uma viúva de Malabar



Revista Espírita
Jornal de Estudos Psicológicos
Primeiro Ano – 1858
Conversas familiares de além-túmulo - Uma viúva de Malabar
Revista Espírita, dezembro de 1858
Desejávamos interrogar uma dessas mulheres da índia, que têm o uso de se queimarem sobre o corpo de seu marido. Não as conhecendo, tínhamos pedido a São Luís se consentiria em nos enviar uma que estivesse em condições de responder às nossas perguntas, de maneira um pouco satisfatória. Ele respondeu-nos que o faria de bom grado, em alguma ocasião. Na sessão da Sociedade, do dia 2 de novembro de 1858, o senhor Adrien, médium vidente, viu uma delas disposta a falar, e da qual fez o seguinte retrato: Olhos grandes, negros, colorido amarelo no branco; figura arredondada, face rechonchuda e gorda; pele amarelo-açafrão polido; cílios longos, sobrancelhas arqueadas, negras; nariz mais ou menos achatado, boca grande e sensual; belos dentes grandes e lisos; cabelos escorridos, abundantes, negros e espessos de gordura. Corpo bastante grosso, atarracado e gordo. Lenços de pescoço a envolvem deixando a metade do peito nu. Braceletes nos braços e nas pernas.
1. Lembrai-vos, mais ou menos, em que época vivestes na índia, e onde fostes queimada sobre o corpo de vosso marido? - R. Ela fez sinal que não se lembra. - São Luís respondeu que foi há cerca de cem anos.
2. Lembrai-vos do nome que tínheis? - R. Fátima.
3. Que religião professáveis? - R. O maometismo.
4. Mas o maometismo não manda tais sacrifícios? - R. Nasci muçulmana, mas meu marido era da religião de Brahma. Tive que me conformar com o uso do país em que residia. As mulheres não se pertencem.
5. Que idade tínheis quando morrestes? - R. Tinha, creio, em tomo de vinte anos.
Nota. - O senhor Adrien observou que ela parecia ter pelo menos vinte e oito a trinta; mas que nesse país as mulheres envelhecem mais depressa.
6. Sacrificaste-vos voluntariamente? - R. Preferiria casar-me com um outro. Refleti bem, e concebereis que pensamos todos do mesmo modo. Segui o costume; mas no fundo preferia não fazê-lo. Esperei vários dias o outro marido, e ninguém veio; então, obedeci à lei.
7. Que sentimento pôde ditar essa lei? - R. Ideias supersticiosas. Afigura-se que, em se queimando, se é mais agradável à Divindade; que resgatamos as faltas daquele que perdemos, e que vamos ajudá-lo a viver feliz no outro mundo.
8. Vosso marido teve vontade do vosso sacrifício? - R. Jamais procurei rever meu marido.
9. Há mulheres que se sacrificam assim deliberadamente? -R. Há pouco delas; uma em mil, e ainda, no fundo, elas não gostariam de fazê-lo.
10. Que se passou convosco no momento em que a vida corporal se extinguiu? - R. A perturbação; tive uma neblina, e depois não sei o que se passou. Minhas ideias não se ordenaram senão depois de muito tempo. Ia por toda parte, e, entretanto, não via bem; e ainda agora, não estou inteiramente esclarecida; tenho muitas encarnações a sofrer para me elevar; mas não me queimarei mais... Não vejo a necessidade de se queimar, de se lançar no meio das chamas para se elevar... sobretudo por faltas que não se cometeu; depois, isso não me agradou... De resto, não procurei sabê-lo, dar-me-íeis alegria orando um pouco por mim; porque compreendo que não há senão a prece para suportar com coragem as provas que nos são enviadas: Ah! se eu tivesse a fé!
11. Pedis para orarmos por vós; mas somos cristãos, e nossas preces poderiam ser-vos agradáveis? - R. Não há senão um Deus para todos os homens.

Nota. - Em várias das sessões seguintes a mesma mulher veio entre os Espíritos que as assistiam. Ela disse que vinha para se instruir. Parecia sensível ao interesse que se lhe testemunhava, porque ela nos seguiu várias vezes em outras reuniões e mesmo na rua.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dissertações de além-túmulo - O Sono


Revista Espírita

Jornal de Estudos Psicológicos
Primeiro Ano – 1858
Revista Espírita, dezembro de 1858

Pobres homens que poucos conheceis os fenômenos mais comuns que fazem vossa vida! Credes ser bem sábios, credes possuir uma vasta erudição, e a esta pergunta de todas as crianças: Que fazemos quando dormimos? O que são os sonhos? Permaneceis interditados.
Não tenho a pretensão de vos fazer compreender o que vou vos explicar, porque há coisas às quais vosso Espírito não pode ainda se submeter, não admitindo senão o que compreende.


O sono liberta inteiramente a alma do corpo. Quando se dorme, se está, momentaneamente, no estado em que se acha de um modo fixo depois da morte. Os Espíritos que são logo desligados da matéria em sua morte, tiveram sonos inteligentes; aqueles, quando dormem, juntam-se à sociedade de outros seres superiores a eles: viajam, conversam e se instruem com eles; trabalham mesmo em obras que encontram prontas quando morrem. Isso deve nos ensinar, uma vez mais, a não temermos a morte, porque morreis todos os dias, segundo a palavra de um santo.

É assim para os Espíritos elevados; mas para a massa dos homens que na morte devem permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza da qual vos falaram, aqueles vão, seja em mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições o chamam, seja procurar prazeres talvez ainda mais baixos que aqueles que têm aqui; vão haurir doutrinas mais vis, mais ignóbeis, mais nocivas do que aquelas que professam em vosso meio. E o que faz a simpatia na Terra não é outra coisa senão esse fato, que se sente ao despertar, de se aproximar pelo coração daqueles com quem viemos de passar oito ou nove horas de felicidade ou de prazer. O que explica essas antipatias invencíveis, é que se sabe, no fundo de seu coração, que aquelas pessoas têm uma outra consciência que a nossa porque são conhecidas sem tê-las jamais visto com os olhos. É ainda o que explica a indiferença, uma vez que não se deseja fazer novos amigos, quando se sabe que existem outros que vos amam e que vos querem. Em uma palavra, o sono influi mais que pensais em vossa vida.

Pelo efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos, e é o que faz que os Espíritos superiores consintam, sem muita repulsa, se encarnarem entre vós. Deus quis que, durante seu contato com o vício, eles possam ir se retemperarem nas fontes do bem, para eles mesmos não falirem, eles que vêm instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abre até os amigos do céu; é a recreação depois do trabalho, na espera da grande libertação, a liberação final que deverá devolvê-los ao seu verdadeiro meio.

O sonho é a lembrança daquilo que vosso Espírito viu durante o sono, mas notai que não sonhais sempre, porque não vos lembrais sempre do que vistes, ou de tudo o que vistes.

Vossa alma não está em todo desenvolvimento; não é, freqüentemente, senão a lembrança de uma perturbação que acompanha vossa partida ou vossa reentrada, à qual se junta a do que fizestes ou do que vos preocupou no estado de vigília; sem isso, como explicaríeis esses sonhos absurdos que têm os mais sábios como os mais simples? Os maus Espíritos se servem também dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes.

De resto, vereis em pouco se desenvolver uma nova espécie de sonho; ela é tão antiga quanto a que conheceis, mas a ignorais. O sonho de Joana, o sonho de Jacó o sonho dos profetas judeus e de alguns adivinhos indianos; aquele sonho é a lembrança da alma inteiramente desligada do corpo, a lembrança dessa segunda vida, da qual vos falei ainda há pouco.

Procurai distinguir bem essas duas espécies de sonho dos quais vos lembrareis, sem isso cairíeis nas contradições e nos erros, que seriam funestos à vossa fé.


Nota. - O Espírito que ditou esta comunicação, instado a dar seu nome, respondeu: "Para
quê? Credes, pois, que não haja senão os Espíritos de vossos grandes homens que vêm dizer-vos coisas boas? Contai, pois, por nada todos aqueles que não conheceis ou que não têm nome sobre a vossa Terra? Sabei que muitos não tomam um nome senão para vos contentar."