terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tu, porém


“Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina.” – Paulo. (TITO, 2:1.)

Desde que não permaneças em temporária inibição do verbo, serás assediado a falar em todas as situações.
Convocar-te-ão a palavra os que desejam ser bons e os deliberadamente maus, os cegos das estradas sombrias e os caminheiros das sendas tortuosas.
Corações perturbados pretenderão arrancar-te expressões perturbadoras.
Caluniadores induzir-te-ão a caluniar.
Mentirosos levar-te-ão a mentir.
Levianos tentarão conduzir-te à leviandade.
Ironistas buscarão localizar-te a alma no falso terreno do sarcasmo.
Compreende-se que procedam assim, porquanto são ignorantes, distraídos da iluminação espiritual. Cegos desditosos sem o saberem, vão de queda em queda, desastre a desastre, criando a desventura de si mesmos.
Tu, porém, que conheces o que eles desconhecem, que cultivas na mente valores espirituais que ainda não cultivam, toma cuidado em usar o verbo, como convém ao Espírito do Cristo que nos rege os destinos. É muito fácil falar aos que nos interpelam, de maneira a satisfaz ê-los, e não é difícil replicar-lhes como convém aos nossos interesses e conveniências particulares; todavia, dirigirmo-nos aos outros, com a prudência amorosa e com a tolerância educativa, como convém à sã doutrina do Mestre, é tarefa complexa e enobrecedora, que requisita a ciência do bem no coração e o entendimento evangélico nos raciocínios.
Que os ignorantes e os cegos da alma falem desordenadamente, pois não sabem, nem vêem… Tu, porém, acautela-te nas criações verbais, como quem não se esquece das contas naturais a serem acertadas no dia próximo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Tenhamos fé



”… vou preparar-vos lugar.” – Jesus. (João, 14:2.)

Sabia o Mestre que, até à construção do Reino Divino na Terra,quantos o acompanhassem viveriam na condição de desajustados,trabalhando no progresso de todas as criaturas, todavia, “sem ugar” adequado aos sublimes ideais que entesouram.
Efetivamente, o cristão leal, em toda parte, raramente recebeo respeito que lhe é devido:
Por destoar, quase sempre, da coletividade, ainda não completamente cristianizada, sofre a descaridosa opinião de muitos.
Se exercita a humildade, é tido à conta de covarde.
Se adota a vida simples, é acusado pelo delito de relaxamento.
Se busca ser bondoso, é categorizado por tolo.
Se administra dignamente, é julgado orgulhoso.
Se obedece quanto é justo, é considerado servil.
Se usa a tolerância, é visto por incompetente.
Se mobiliza a energia, é conhecido por cruel.
Se trabalha, devotado, é interpretado por vaidoso.
Se procura melhorar-se, assumindo responsabilidades no esforço intensivo das boas obras ou das preleções consoladoras, é indicado por fingido.
Se tenta ajudar ao próximo, abeirando-se da multidão, com os seus gestos de bondade espontânea, muitas vezes é tachado de personalista e oportunista, atento aos interesses próprios.
Apesar de semelhantes conflitos, porém, prossigamos agindo e servindo, em nome do Senhor.
Reconhecendo que o domicílio de seus seguidores não se ergue sobre o chão do mundo, prometeu Jesus que lhes prepararia lugar na vida mais alta.
Continuemos, pois, trabalhando com duplicado fervor na sementeira do bem, à maneira de servidores provisoriamente distanciados do verdadeiro lar.
“Há muitas moradas na Casa do Pai.”
E o Cristo segue servindo, adiante de nós.
Tenhamos fé.

Emmanuel/Chico Xavier. Fonte Viva.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Ante o objetivo



“Para ver se de algum modo posso chegar à ressurreição.”– Paulo. (Filipenses, 3:11.)


Alcançaremos o alvo que mantemos em mira:
O avarento sonha com tesouros amoedados e chega ao cofre forte.
O malfeitor comumente ocupa largo tempo planificando a ação perturbadora e comete o delito.
O político hábil anseia por autoridade e atinge alto posto no domínio terrestre.
A mulher desprevenida, que concentra as idéias no desperdício das emoções, penetra o campo das aventuras inquietantes.
E cada meta a que nos propomos tem o preço respectivo.
O usurário, para amealhar o dinheiro, quase sempre perde a paz.
O delinquente, para efetuar a falta que delineia, avilta o nome.
O oportunista, para conseguir o lugar de mando, muitas vezes desfigura o caráter.
A mulher desajuizada, para alcançar fantasiosos prazeres, abdica, habitualmente, o direito de ser feliz.
Se impostos tão pesados são exigidos na Terra aos que perseguem resultados puramente inferiores, que tributos pagará o espírito que se candidata à glória na vida eterna?
O Mestre na cruz é a resposta para todos os que procuram a sublimidade da ressurreição.
Contemplando esse alvo, soube Paulo buscá-lo, através de incompreensões, açoites, aflições e pedradas, servindo constantemente, em nome do Senhor.
Se desejas, por tua vez, chegar ao mesmo destino, centraliza as aspirações no objetivo santificante e segue, com valoroso esforço, na conquista do eterno prêmio.


Emmanuel/Chico Xavier. Fonte Viva.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Grupo Perfeito!!!!???

No espaço deste Blog semanal, abriremos espaço para o lúcido pensamento de Laurentino Simões, autor do livro “Nos Passos de Jesus”. Escrevendo a respeito da ilusão dos que esperam integrar um grupo espírita perfeito, sem qualquer problema no campo do relacionamento entre os seus integrantes, Laurentino escreveu:
Não estejamos à procura do Grupo Espírita perfeito, porque os integrantes de todos os grupos humanos são assinalados pelas imperfeições que caracterizam as pessoas na Terra.

Neste sentido, nem mesmo o grupo dos Apóstolos, constituído pelo Cristo, para auxiliá-Lo na pregação da Boa Nova, era perfeito.

Não obstante, o Senhor se fez o incansável mediador da paz e do entendimento entre eles.

Assim, o que escolhemos?! Ser a pedra de tropeço no caminho das atividades a serem cumpridas ou ser alguém que se dispõe a removê-la, sempre que apareça?!

Ser um solucionador de problemas ou um complicador para as dificuldades que surgem?!

Um incendiário ou alguém disposto a apagar as labaredas da discórdia?!

Como soa, em nossos lábios, a palavra que proferimos?! Agressiva ou pacificadora?! Humilde ou soberba?! Fraterna ou autoritária?!

Sob o pretexto de defender o que julga correto, ninguém deve se dirigir aos outros como quem traz um relho nas mãos.

Dentro do templo, conscientizemo-nos de que não somos o Cristo – nós somos vendilhões!

E se, porventura, ainda hoje, Ele aparecesse para sanear o templo, precisaríamos nos perguntar quem de nós estaria em condições de permanecer dentro dele.
Realmente, Laurentino tem razão. Porque, os vendilhões do templo não são apenas aqueles que objetivam lucro financeiro com as suas atividades, mas todos os que, não raro, utilizam a transitória posição que nele ocupam por moeda de troca às suas ambições rasteiras.
São, por exemplo, os que se mostram interessados em vender ou comprar prestígio e influência...
Os que se valem dos precários recursos que administram na direção desse ou daquele departamento assistencial da Casa, para colocarem à mostra as suas frustrações de ambição de poder...
Os que, enfim, nos testes de avaliação espiritual a que se submetem, são reprovados, porque revelam que ainda não estão preparados para assumirem maiores responsabilidades na condução dos povos...
Não basta estar com o Cristo, ou viver perto Dele, para, verdadeiramente, ser seu seguidor. Vejamos o lamentável caso de Judas!
Assim, não basta construir um Centro Espírita, ou viver dentro dele, para que alguém, de fato, possa estufar o peito, e até com certa vaidade de natureza espiritual, proclamar aos quatro ventos: - Eu sou espírita!...
Não raro, mais espírita é aquele que não o diz ser, como, igualmente, mais médium é aquele que imagina não ser portador de qualquer faculdade mediúnica.
O grupo espírita perfeito que tanta gente vive à procura se caracteriza não pela perfeição dos outros que o integram, mas sim, e principalmente, pela sua.

Por: Inácio Ferreira

terça-feira, 2 de setembro de 2014

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

LIVRE-ARBÍTRIO

"Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me."
- Marcos, cap. 8 v. 34

Nesta passagem, Jesus enfatiza a importância do livre-arbítrio com que somos todos aquinhoados.
A faculdade de escolha entre o bem e o mal nos pertence, como igualmente nos pertence a inteira responsabilidade da opção efetuada.
O Mestre, hora alguma, nos engana com falsas promessas. Em mais de uma oportunidade, enfatiza que tomar a iniciativa de acompanhá-lo não é fácil.
O crente que, de livre e espontânea vontade, desejar segui-lo, está avisado dos procedimentos básicos para tal: negar a si mesmo e tomar a sua cruz !
Negar a si mesmo significa renunciar ao personalismo; tomar a sua cruz subentende arcar com as inevitáveis consequências da ousadia...
Ele não nos traça nenhuma outra condição, nem efetua qualquer espécie de exigência.
O problema de seguir o Cristo diz respeito unicamente a nós, nos embaraços que possamos ocasionar a nós mesmos, com o nosso exagerado apego às facilidades que nos habituamos a usufruir.
Quem se propõe ir com Ele não tem, pois, o direito de se queixar do caminho acidentado que decide percorrer...
E mais: nenhum homem ignora para onde se dirige o Cristo, na escalada do monte dos mais ásperos testemunhos !
 
- "Se alguém quer" - advertiu-nos -, o caminho é por aqui...
- "... e siga-me." Quer dizer: não faça perguntas e nem espere explicações !
 
Portanto, não se compreende o cristão que, por exemplo, se mostra desapontado ou, inclusive, tendente a perder a fé, porque, na decisão que tomou de seguir o Cristo, em vez de aplausos, esteja recebendo pedradas.
 
 
(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A.Baccelli/Inácio Ferreira)