“Pequeno
erro de cálculo pode trair o equilíbrio de um edifício inteiro. Eis por
que em se despojando alguém de algum patrimônio material, a benefício
dos outros, não se esqueça também de desintegrar, em derredor dos
próprios passos, os velhos envoltórios do rancor, do capricho doentio,
do julgamento apressado ou da leviandade criminosa, dentro dos quais
afivelamos pesada máscara ao rosto, de modo a parecer o que não somos.”
(XAVIER, F. C. Pão Nosso. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB,
2005. Item nº 147.)
Não é tão simples como pensamos o julgamento dos
nossos próprios atos, pois tendemos a nos considerar muito melhores do
que o somos em relação às outras pessoas. Sabendo disso, Jesus
recomenda: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o
juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes
medido vos hão de medir a vós” (Mateus, 7:1-3). Ou seja, se tendemos a
ser severos para com as atitudes alheias e generosos em relação aos
nossos próprios atos, não é bem assim que nos vê o olhar alheio.
Trazemos
conosco, de tempos imemoriais, não poucos defeitos morais, como os
citados pelo Espírito Emmanuel, todos derivados unicamente do egoísmo, a
origem de todas as nossas imperfeições morais. O egoísta, por se
considerar superior ao seu próximo, reivindica para si todas as
atenções. Se é atleta, ainda que não possua o mesmo preparo físico do
seu concorrente, sente-se injustiçado, se não pela humanidade, por Deus
ou pela natureza, quando é superado por aquele. Daí surgir a inveja em
seu sentimento, por não suportar o sucesso do outro. Se participa de um
grupo de pesquisa e seu colega se sobressai, em alguma nova contribuição
científica, em virtude de melhor preparo intelectual, fruto de muito
maior dedicação do que a sua, é levado pelo despeito e, já que não pode
ocupar o lugar de destaque do outro, empenha todos os seus sentimentos
mesquinhos para empanar o brilho que não pôde alcançar. É quando surge a
nossa maledicência leviana e, mesmo, criminosa, como afirma Emmanuel.
Como
não podemos ser ou ter o que desejamos o que o outro possui ou é,
julgamos que, destruindo-o, conseguiremos tomar-lhe o lugar. E assim por
diante, vamos dando vazão às nossas ambições de conquista de algo
imerecido, ao longo de muitas vidas, sofrendo, consequentemente, pela
lei de causa e efeito, ou de ação e reação, as correções de nosso Pai
amoroso, cujas leis são todas voltadas para o nosso bem, ainda que se
nos pareçam amargo remédio.
Criados simples e ignorantes, como nos
informam os Espíritos superiores n’O Livro dos Espíritos, à medida que
nos instruímos, percebemos a presença da Lei de Deus em nossa
consciência, a clamar insistentemente: “Caim, o que fizeste do teu
irmão?”. Durante algum tempo, fingimos não ouvir tal apelo; mas ele está
lá, no âmago do nosso ser, implacável, insistente... Até o dia em que,
não suportando mais esse apelo, retornamos à vida espiritual cheios de
remorsos e vontade de reparar nossos erros, por constatarmos que, ali,
ninguém engana ninguém, muito menos a si mesmo.
De início, sentimos
queimar, dentro de nós mesmos, o fogo do remorso, da raiva e clamamos,
em altos brados, por misericórdia, nas zonas umbralinas ou de trevas do
plano espiritual. Entretanto, enquanto nosso arrependimento não for
sincero e não fizermos o sincero propósito de retificar nossos caminhos
equivocados, não seremos socorridos. Chega, por fim, após inauditos
sofrimentos, o dia em que nossos apelos são percebidos como sinceros,
pelos embaixadores divinos. Então pedimos a Deus, humildemente, uma nova
chance. É quando Ele nos diz, pela voz dos arautos do Evangelho do
Cristo, ser necessário:
Renascer
É necessário renascer do espírito,
Para de vez vencer a má tendência,
E nunca mais fazer da norma o grito,
E em seu lugar usar a paciência.
A calma é sempre bem maior que o atrito,
Quem cala evita a vã maledicência
Do infeliz coitado, pobre aflito,
Que não percebe o mal em sua essência.
Quem se acomoda então no velho drama
De reviver no mal teimosamente
Transforma em treva o crepitar da chama.
Quem não age no bem só sofre e clama
Até compreender, humildemente,
Que a paz é a virtude de quem ama.
Agora,
sim, tudo começa a ficar claro para nós. Se, antes, desejáramos ser
amados, e nesse desejo nos julgávamos merecedores dos créditos e títulos
alheios, agora sabemos que a verdadeira felicidade está em amar e
servir, incondicionalmente, o nosso próximo, para fazer jus ao título de
pacificadores. E “bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão
chamados filhos de Deus” (Mateus, 5:9).
Jorge Leite de Oliveira
Casa Espírita situada na Cidade de Novo Gama - GO. Endereço: Qd. 49 R. 40 Lote 8 - Boa Vista I, Novo Gama - GO - CNPJ: 09.380.203/0001-25. Atividades: Sábados (08:00 as 12:00). Atendimento Fraterno: 09:00-09:15. Passes: 09:20-09:40. Reunião Pública (Papo de Luz): 09:45-10:15. Evangelização Infantil: 09:00-10:30. Sopa Fraterna: 10:450-11:30. Juventude: 11:00-12:00 h. Contato: 61-99280-5347 (Fátima) e (61)98153-8649 (Domingos) Conta Bancária: CEF - Agência 0655, Operação: 013; Conta: 0027662-0 -
sexta-feira, 24 de abril de 2015
segunda-feira, 20 de abril de 2015
LEMBRANDO ALLAN KARDEC
Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos). Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro: Doutrina Escola. Lição nº 05. Página 29.
Mensagem recebida em 22.09.1942. Lida aos 03.10.1942, durante a 3ª Concentração Espírita de São Paulo, no Ginásio do Pacaembu.
Depois
de se dirigir aos numerosos missionários da Ciência e da Filosofia,
destinados à renovação do pensamento do mundo no século XIX, o Mestre
aproximou-se do abnegado João Huss e falou, generosamente:
-
Não serás portador de invenções novas, não te deterás no problema de
comodidade material à civilização, nem receberás a mordomia do dinheiro
ou da autoridade temporal, mas deponho-te nas mãos a tarefa sublime de
levantar corações e consciências.
A
assembléia de orientadores das atividades terrestres estava comovida. E
ao passo que o antigo campeão da verdade e do bem se sentia alarmado de
santas comoções, Jesus continuava.
-
Preparam-se os círculos da vida planetária a grandes transformações nos
domínios do pensamento. Imenso número de trabalhadores no mundo,
desprezando o sentido evolucionário da vida, crê na revolução e nos seus
princípios destruidores, organizando-lhe movimentos homicidas. Em
breve, não obstante nossa assistência desvelada, que neutralizará os
desastres maiores, a miséria e o morticínio se levantarão no seio de
coletividades invigilantes. A tirania campeará na Terra, em nome da
liberdade, cabeças rolarão nas praças públicas em nome da paz, como se o
direito e a independência fossem frutos da opressão e da morte. Alguns
condutores do pensamento, desvairados de personalismo destruidor,
convertem a época de transição do orbe em turbilhão revolucionário,
envenenando o espírito dos povos. O sacerdócio organizado em bases
econômicas não pode impedir catástrofe. A Filosofia e a Ciência
intoxicaram as próprias fontes de ação e conhecimento!...
É
indispensável estabelecer providências que amparem a fé, preservando os
tesouros religiosos da criatura. Confio-te a sublime tarefa de
reacender as lâmpadas da esperança no coração da humanidade.
O Evangelho do Amor permanece eclipsado no jogo de ambições desmedidas dos homens viciosos!...
Vai,
meu amigo. Abrirás novos caminhos à sagrada aspiração das almas,
descerrando a pesada cortina de sombras que vem absorvendo a mente
humana. Na restauração da verdade, no entanto, não esperes os louros do
mundo, nem a compreensão de teus contemporâneos.
Meus
enviados não nascem na Terra para serem servidos, mas por atenderem às
necessidades das criaturas. Não recebem palmas e homenagens, facilidades
e vantagens terrestres, contudo, minha paz os fortalece e levanta-os,
cada dia... Muitas vezes, não conhecem senão a dificuldade, o obstáculo,
o infortúnio, e não encontram outro refúgio além do deserto. É preciso,
porém, erigir o santuário da fé e caminhar sem repouso, apesar de
perseguições, pedradas, cruzes e lágrimas!...
Ante
a emoção dos trabalhadores do progresso cultural do orbe terrestre, o
abnegado João Huss recebeu, a elevada missão que lhe era conferida,
revelando a nobreza do servo fiel, entre júbilos de reconhecimento.
Daí a algum tempo, no albor do século XIX, nascia Allan Kardec em Lyon, por trazer a divina mensagem.
Espírito
devotado, jamais olvidou o compromisso sublime. Não encontrou escolas
de preparação espiritual, mas nunca menosprezou o manancial de recursos
que trazia em si mesmo. E, como se quisera demonstrar que as fontes do
profetismo devem manar de todas as regiões da vida para sustentáculo e
iluminação do espírito eterno, embora no quadro dos grandes homens do
pensamento, estimou desferir os primeiros vôos de sua missão divina na
zona comum onde permanece a generalidade das criaturas.
Consoante a previsão do Cristo, a Revolução Francesa preparara com sangue o império das guerras napoleônicas.
Enquanto
os operários da cultura moderna lançavam novas bases ao edifício do
progresso mundial, o grande missionário, sem qualquer preocupação de
recompensa ou exibicionismo, dá cumprimento à tarefa sublime.
E
foi assim que o século XIX, que recebeu a navegação a vapor, a
locomotiva, a eletrotipia, o telégrafo, o telefone, a fotografia, o cabo
submarino, a anestesia, a turbina a vapor, o fonógrafo, a máquina de
escrever, a luz elétrica, o sismógrafo, a linotipo, o radium, o
cinematógrafo e o automóvel, tornou-se receptor da Divina Luz da
Revivescência do Evangelho.
O
discípulo dedicado rasgou os horizontes estreitos do ceticismo e o
plano invisível encontrou novo canal a fim de projetar-se no mundo,
atenuando-lhe as sombras densas e renovando as bases da fé.
Alguns
dos companheiros de luta espiritual, embora em seguida às hostilidades
do meio, recebiam aplausos do mundo e proteção de governos prestigiosos,
mas emissário de Jesus, no deserto das grandes cidades, trabalhava em
silêncio, suportando calúnias e zombarias, vencendo dificuldades e
incompreensões.
Ao fim da laboriosa tarefa, o trabalhador fiel triunfara.
Em breve, a Doutrina Consoladora dos Espíritos iluminava corações e consciências, nos mais diversos pontos do globo.
É
que Allan Kardec, se viera dos círculos mais elevados dos processos
educativos do mundo, não esquecera a necessidade de sabedoria
espiritual.
Discípulo eminente de professores consagrados, como Pestalozzi, não esqueceu a ascendência do Cristo.
Trabalhador
no serviço da redenção, compreendeu que não viera à Terra por atender a
caprichos individuais e sim aos poderes superiores da vida.
Sua exemplificação é um programa e um símbolo.
Conquistando
a auréola dos missionários vitoriosos, não se incorporou à galeria dos
grandes do mundo, por que apenas indicasse o caminho salvador à
humanidade terrestre.
Allan Kardec não somente Pregou a Doutrina Consoladora; Viveu-a.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
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